Mostrar mensagens com a etiqueta contos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta contos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Escola de Narração Oral um projecto de Clara Haddad

É com gosto que vos apresento este projecto a todos os que querem evoluir ou iniciar a arte dos contos.
Vejam aqui :

http://www.escolanarracao.com/


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Muito trabalho, muitas experiências, crescer e evoluir :)

 Cá em casa os dias têm passado a correr. Muito é o trabalho...por uma lado as histórias novas que chegam às minhas mãos a pedirem para serem contadas, como é o caso do livro  que comprei  Sábado passado na Cabeçudos. Este livro é maravilhoso e acho sinceramente que ele contém as sementes de uma verdadeira revolução urbana, agora vamos ver como vou conseguir contar esta história e pôr cá fora tudo o que ela representa para mim...
Ao mesmo tempo tenho feito várias experiências na roda, como podem ver na imagem. Acho que finalmente consegui um fio que me vai permitir trabalhar com agulhas mais grossas.

Na tinturaria as experiências têm corrido ao sabor da vontade de trabalhar com a cor. Sinto que estou a soltar-me e a perder o                                                                        medo de experimentar.


As ideias são tantas :) que o dia devia de ter pelo menos 48horas, mas o bom é que o meu filho de me ver tão entusiasmada, começou a entusiasmar-se também e agora é ele que ao passear pelo parque me vêm trazer folhas, liquens e cascas de árvores para ambos experimentarmos :)
E assim se vai desbravando caminho e criando uma nova palete de cores, mais vivas, mais cheias de luz e energia e compeltamente seguras para a nossa saúde e a saúde desta mãe que nos sustenta a todos (TERRA).




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

História da Lanterna


Cá por casa à semanas que a história que se conta é sempre a mesma, fizemos lanternas para a acompanhar . O meu filho com colagens e eu com croché, coloridas lanternas foram criadas, a meada de lã foi fiada inspirada na viagem da protagonista da história e um pequeno cenário foi montado, assim no momento da história acendemos as lanternas, e ouvirmos com muita atenção, a história que vos vou contar...

 Espero que gostem!








Teatrinho de marionetas –inspirado na  pedagogia Waldorf e um pouco adaptado por Luisa Barreto
para o Outono, dia 11 de Novembro
2008

A HISTÓRIA DA LANTERNA

Personagens : menina com lanterna
                       coelho (era um ouriço),
                       urso
                      veado (era uma raposa),
                      velhinha com o seu fuso de fiar
                      sapateiro
                      menino com sua bola,
                      Sol

Cenário : caminho no bosque, casa da velhinha, casa do sapateiro, montanha do sol

Adereços : lanterna (acesa e apagada), roca de fiar, bola

Cantigas: as adivinhas
               a lanterna

                                  ***   *****   ***

                   Era uma vez uma menina que tinha uma lanterna com uma luz muito brilhante e levava-a  pelo caminho ,cheia de alegria. Chegou o vento forte, soprando, sibilando, e a sua lanterna apagou-se.
- Oh! – exclamou a menina – quem irá acender a minha lanterna ?
Olhou, olhou, mas não encontrou ninguém. Continuou a andar, até que passou por um coelho .

cantiga : Quem se move na folhagem ?
               Quem anda tão levezinho ?
               Quem saltita assim tão ágil ?
                Com um pêlo tão fôfinho ?

- Querido coelho – disse a menina – o vento apagou a minha lanterna, quem
poderá voltar a acendê-la ?
E o coelho respondeu :
- Eu não te posso ajudar
  tenho filhos para cuidar

E a menina seguiu o seu caminho até que encontrou um urso .

cantiga : Quem será este a grunhir?
             com  lindo fato castanho
              de  bom pêlo a reluzir
             e com tão grande tamanho?


-Querido urso – disse a menina – o vento apagou a minha lanterna, quem poderá voltar a acendê-la ?
 E o urso respondeu:
- Eu não te posso ajudar
  Eu tenho de ir descansar

E a menina continuou o seu caminho, até que passou por um veado :
cantiga : Quem espreita tão vigilante
              de hastes erguidas no ar ?
              Quem se move tão elegante
              que até parece dançar ?

- Querido veado – disse a menina – o vento apagou a minha lanterna, quem ma poderá voltar a acender ?
E o veado respondeu :
- Eu tenho de ter cuidado
  eu não te posso ajudar
 senão, posso ser caçado
  por não estar a vigiar…

 Então a menina sentou-se tristemente numa pedra, pensando :
- “Ninguém me ajuda…  Só se eu for ter com o Sol… Talvez ele me acenda a minha lanterna …”
E , mais animada, levantou-se e continuou a caminhada.
Mais à frente, encontrou uma casinha. Espreitou pela janela, e viu uma velhota a fiar no seu fuso. Bateu à porta e quando a velhinha abriu, ela perguntou :
- Olá, tiazinha, sabes o caminho até ao Sol ? Queres vir comigo ?
E a velhota respondeu :
- Eu tenho que trabalhar
   com o meu fuso fiar.
   Mas senta –te aqui,  ao pé de mim,um bocadinho
   espera-te um longo e difícil caminho.

E a menina sentou-se, descansou, agradeceu, e depois despediu-se e continuou o seu caminho. Andou , andou, até que chegou a outra casa, e lá dentro viu um sapateiro a trabalhar no seu ofício. Então perguntou-lhe :
- Olá, sapateiro, conheces o caminho que leva ao Sol ? Queres vir comigo ?
 E o sapateiro respondeu :
- Com tanto sapato para concertar
  eu não tenho tempo para passear.
  Mas senta-te aqui, ao pé de mim, um bocadinho
  espera-te um longo e difícil caminho.

E a menina sentou-se, descansou, agradeceu , e depois despediu-se e continuou o seu caminho. Andou e tornou a andar até que, lá ao longe, viu um monte muito alto e pensou :
- “È ali em cima que mora o Sol “
 Correu ligeirinha na sua direcção. Passou por um menino a jogar à bola e convidou-o :
- “Vem comigo até ao Sol”
Mas o menino preferiu continuar a jogar e a saltar pelo prado.
A menina seguiu sózinha o seu caminho, subindo, subindo, pela encosta da montanha, até que chegou mesmo lá acima. Mas nem  mesmo lá acima ela viu o Sol. Então sentou-se no chão à espera e estava tão cansada que os olhos se fechavam, e ela acabou por adormecer…
 Ora, já há algum tempo que o Sol observava a menina e, quando chegou o entardecer, inclinou-se para ela e acendeu de novo a lanterna. Foi então que a menina acordou e exclamou :
- Oh! A minha lanterna voltou a brilhar !
 Levantou-se e pôs-se alegremente a caminho.
 Voltou a encontrar o menino que se queixou :
- Perdi a minha bola. Não consigo encontrá-la.
E a menina disse-lhe :
- Vamos procurá-la com a minha lanterna.
Depressa encontraram a bola e o menino ficou a jogar e a cantar.
Ela continuou o seu caminho, até que chegou à casa do sapateiro que estava sentado a um canto :
- Apagou-se o lume – contou ele – as minhas mãos ficaram paralisadas com o frio e já não consigo trabalhar.
- Eu acendo-te o lume com a chama da minha lanterna- disse a menina.
O sapateiro agradeceu, aqueceu as mãos e recomeçou a trabalhar, a martelar e a concertar os sapatos.
A menina continuou a andar e encontrou a casa da velhinha. Estava escuro lá dentro.
 - A luz apagou-se – contou a velhinha – Já há algum tempo que não posso fiar.
 - Ah, eu acendo-ta – respondeu a menina.
A velhinha agradeceu e recomeçou a fiar.
A menina continuou a caminhar até ao bosque onde todos os animais acordaram com o esplendor da sua lanterna. O veado espreitou e viu a luz, o urso grunhiu enroscado na sua toca. O coelho aproximou-se e exclamou :
- Que luz tão grande que há aqui !

 E a menina dirigiu-se alegremente para casa, cantando :

cantiga : Eu vou com a minha lanterna
              ela vai sempre comigo
              com sua luz quente e terna
              o meu caminho sigo

            Estrela cintila no céu
            lanterna brilha na terra
            que quentinha fico eu
            com o calor que ela encerra

           Ilumina o meu caminho
           quando à volta há escuridão
           Ninguém ninguém está sózinho
           temos luz no coraçãao
            
             FIM
  
               
              

  
   

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Astrologia e histórias, fiando o entendimento profundo...

Quando iniciei o meu percurso nos contos, trabalhava como astróloga, e uma das coisas que mais me cativou na arte de contar histórias foi justamente o facto de a história ser matéria prima essencial à construção de uma maior consciência da nossa vida anímica. Na altura percebi que ao trocar a astrologia pelas histórias estaria a oferecer às pessoas ferramentas transversais. À alguns meses iniciei um trabalho de estudo sobre a obra da Marina Colasanti e encontrei este conto, que ando a mastigar e a digerir para poder contar em público. A beleza dele é que é a melhor explicação do que em Astrologia significa vir de Capricórnio para Carangueijo. Assenta no meu tema Natal que nem uma luva e é incrível como 10m de leitura ofereceram-me o entendimento profundo que anos de estudo de astrologia não conseguiram.
Este é o poder de uma história!


Eis o conto:

Quase tão leve
      Naquela manhã de primavera o inesperado aconteceu, o velho monge não conseguiu voar. Havia feito suas abluções, havia meditado longamente e longamente repetido as palavras sagradas. Havia elevado o espírito, mas o corpo, ah! o corpo não abandonara seu peso.
     Com certeza, pensou o velho penitenciando-se, faltou-me a fé.  E humildemente voltou a purificar-se na água gelada e, nu no ar cortante, orou até sentir-se tomado pelo calor de mil sóis.  Mas, luminosa embora sua alma, não houve meio do corpo pairar acima do chão.
     Onde, onde falhei? perguntava-se o velho do fundo da sua sabedoria.  E não encontrando em si mesmo a resposta, envolveu-se no pano áspero que era toda a sua indumentária e, cajado na mão, saiu caminhando à procura.
     Não precisou andar muito para chegar ao grande carvalho que se erguia perto do mosteiro.  Ali, em fins de tarde, tantos e tão ruidosos eram os pássaros, que cada folha parecia ter asas.  O velho 0lhou longamente os pássaros, àquela hora ocupados com suas crias, seus ninhos, sua interminável caça de insetos.  Parecia justo e fácil que se movessem no ar.  Talvez sejam mais puros, pensou.  E querendo pôr à prova a pureza do seu próprio corpo, permaneceu por longo tempo de pé, debaixo da copa, até ter ombros e cabeça cobertos de excrementos das aves.
     Porém aquele corpo magro e pequeno, aquele corpo quase tão leve quanto o de um pássaro, negava-se a dar-lhe a felicidade do vôo.  E o velho recomeçou a andar.
     Caminhando, olhava o céu ao qual sentia não mais pertencer.      

     Ouviu o grito do gavião e o viu abater-se, altivo e feroz, sobre uma presa.   Até ele, que agride os mais fracos, tem o direito que eu não mereço, pensou contrito.  E mais andou.  Viu o azul cortado por um bando de patos selvagens em migração.  Lá se vão, de uma terra a outra, de um a outro continente, disse em silêncio o velho, enquanto eu não sou digno nem de mínimas distâncias.  E mais andou.  E viu as andorinhas e viu o melro e viu o corvo e viu o pintassilgo, e a todos saudou, e a todos prestou reverência.

     O dia chegava ao fim.  Sombras aladas cortavam a escuridão, morcegos e insetos cruzavam-se nas sombras.  Ainda sem resposta e já sem forças, o velho monge sentou-se frágil sobre as pernas cruzadas, repousou as mãos no colo, meditou. 

     Vagalumes acendiam por instantes o espaço à sua frente.  Empoeirado, sujo, com pés e mãos cheios de impurezas, o velho ainda assim sentiu-se mais leve e abençoado do que havia estado de manhã.  Seu corpo não ascendia.  Pelo contrário, pesava mais sobre o solo do que pesa
um pássaro pousado.  Mas aos poucos a paz iluminava intensíssima sua alma porque, do seu corpo, delgadas e pálidas como se extensão da própria pele, raízes brotavam, logo mergulhando chão adentro.  Seu tempo do ar havia acabado.

    Começava agora para ele o tempo da terra, daquela terra que em breve o acolheria.


                                                       Fim
Conto retirado de: http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/2454187

A Tecelã, o poder de criar e desmanchar...

Peça em curso no meu tear com fio de lã fiado à mão
A primeira vez que ouvi A Tecelã, foi na voz de uma das minhas contadoras favoritas, a Cristina Taquelim. Na altura a história teve um forte impacto, mas confesso que não a entendi na sua profundidade. Fui escutando a história uma e outra vez, na voz de diferentes narradores e ainda assim não a conseguia sentir naquele local onde as histórias profundas tocam-me. Até ao dia que comecei a tecer e tive a coragem de desmanchar algo que não me estava a agradar, aí esta história cresceu dentro de mim, de uma forma tão forte que agora sempre que olho para o tear lembro-me dela!
Para quem não conhece, não deixe de ler a história que partilho com vocês: 

A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Marina Colasanti
(1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000, uma colaboração da amiga Janaina Pietroluongo, da longínqua Oxford.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Gostei muito deste artigo....histórias para a 1ª Infância


CONTAR HISTÓRIAS: CONSTRUINDO UMA BASE MORAL E AFETIVA PARA A CRIANÇA
Mônica Rosales

Escolhendo as Histórias

Que história contar em cada faixa etária?

Não apenas crianças se beneficiam das imagens contidas nas histórias, em todas as idades podemos oferecer esses presentes - basta que tenhamos um olhar atento para as questões de quem as recebe. Não se trata aqui de fechar possibilidades do tipo: para esta faixa etária se contam estes X contos – mas antes, de tentar reconhecer nas diferentes idades quais as disposições latentes e procurar as imagens que mais estejam em sintonia com elas, tanto do ponto de vista lúdico, como evolutivo.

Contos de Fadas

Os contos de fadas traduzem em suas imagens o universo das leis da existência humana.  Leis estas que não conseguimos ainda colocar em linguagem racional e quando tentamos fazê-lo, parece que perdem a força e seu poder de transformação, no sentido de nos conhecermos melhor e de termos nosso destino em nossas mãos de forma consciente, positiva e criativa.

A criança pequena pode ser vista como uma recém-chegada de um mundo onde essas leis são muito claras e óbvias e onde os contos de fada são como a língua que se fala nesse mundo, de modo que para as crianças essa linguagem é perfeitamente compreensível.

Se acreditarmos nisso, convém preservar tais imagens como verdadeiros tesouros da humanidade.  Se quisermos falar à criança sobre esse mundo de possibilidades, convém não fazermos adaptações e pesquisarmos se há mudanças de cunho político, social ou religioso, incluídas nos contos, e retirá-las.  (Observem os contos de Andersen – que não são tradição oral, mas criações dele próprio, como estão carregados desses valores sócio-culturais. Constituem grande fonte de entretenimento, mas não são portadores daquelas imagens grandiosas dos contos de fadas oriundos da sabedoria dos povos.).

Para aquela horinha especial, antes de dormir, seria bom que as crianças levassem essas verdades como companheiras e para preservá-las de nossos julgamentos, podemos contá-las sem grandes interpretações.

Como escolher o conto?  Conte sempre aquele que você gostar mais e não se preocupe em decifrar as imagens arquetípicas que ele contenha.  Apenas delicie-se ao contar.

Lendo os Contos

Quanto à leitura de contos é importante que sejamos capazes de ler sem perder o contato visual e íntimo com as crianças.  Apesar de estarmos lendo, devemos estar observando os momentos de inspiração e expiração da história e fazermos pausas, como se o conto já estivesse decorado há muito tempo, de modo que o “livro não apareça” mais do que a própria história, conforme demonstrado.

Criando o ambiente

Imaginem um trio-elétrico tocando músicas alegres em alto e bom som.  Qual seria o nosso impulso? Sair atrás, dançando e cantando? Muito provavelmente.

Imaginem o som de uma lira ou o murmurar de uma canção suave.  Desejaríamos parar em silêncio e ouvir?  Provavelmente.

Temos um movimento para fora com o trio-elétrico e um movimento para dentro com a lira. Podemos pensar nisso se quisermos criar um ambiente próprio para contar histórias.  Para ouvir é preciso silenciar e permitir que as imagens se construam em nossa mente e em nossos corações. Tudo o que desejarmos criar em termos de respiração deve ser pensado ao elaborarmos o ambiente.  Se vamos contar histórias para “crianças que estão com o trio-elétrico”, precisamos trazê-las gradualmente, a partir do trio-elétrico até o silenciar para poder ouvir.

Velas e/ou músicas cantadas e/ou tocadas, podem acompanhar pequenos rituais criados pelo contador para trazer a criança para o ambiente mágico que deseja criar.

Adequando as histórias às diferentes faixas etária.

Por volta dos 3 anos


Seu universo é mágico, sua beleza, infinita.

A criança pequena tem pouca concentração para ouvir histórias com estruturas mais elaboradas. Pequenas histórias que incluam o movimento do corpo e rimas e repetições agradam enormemente.

Os contos rítmicos, com repetições, são os mais adequados assim como brincadeiras de dedos.

Ex: Pesico e Pesaco, dois anõezinhos dentro do saco. Pesaco tem um chapeuzinho, Pesico tem uma fitinha em volta da testa... E os dois juntos vão para a grande festa...

Eles cantam, eles dançam, depois voltam para casa... Pesico e Pesaco, dois anõezinhos dentro do saco...

Um profundo respeito pelo mistério que cada criança encerra em si quanto à sua proposta de vida, alegria e entusiasmo ao contar histórias, constituem o pré-requisito básico para contar histórias em todas as idades da criança, mas em relação à criança bem pequena, vale incrementar: nossas verdadeiras intenções devem ser trazidas à luz de nossa consciência, pois eles são especialmente sensíveis a elas.

A compreensão da conquista espacial no movimento da criança fará diferença na escolha dos ritmos: 1O. em cima e embaixo, 2O. direita e esquerda (7-8 anos) e por último, dentro e fora.

De 4 a 7 anos

Contos mais simples e curtos para os menores, maiores e mais elaborados para os maiores.

A criança nessa faixa etária não distingue muito bem entre o mundo (as outras pessoas, os outros seres viventes, a natureza) e si mesma. Vivem como num sonho bem elaborado e os contos de fadas são muito bem aceitos.  Quanto aos outros contos (que não de fadas) deve-se ter o cuidado para que a linguagem não seja nem infantilizada, subestimando a capacidade de compreensão da criança, nem elaborada demais que não encontre base no mundo de experiências que ela tenha até então, nem de menos, pois não nos permitem conceber a idéia. A comunicação se estabelece e se constrói a partir do que é re-conhecido.

Fonte: Aliança pela Infância no Brasil - www.aliancapelainfancia.org.br

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Senhora do Almurtão, e o adufe

Uma das histórias mais queridas do meu repotório é a Senhora do Almurtão. As quadras dedicadas à santa sempre me fascinaram, assim como a batida do adufe. Eu que passei a adolescência a tocar instrumentos de percurssão brasileiros, re-encontrei no adufe o bichinho da percursão. Desloquei-me a Idanha, encontrei o José Relvas (video abaixo), que me vendeu o meu adufe, começei a pesquizar e decidi começar a contar a lenda de Nossa Senhora do Almurtão. E é incrível o brilho nos olhos das pessoas raianas irradicadas em Lisboa quando ouvem a lenda e no fim cantam comigo:
"Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravo, cheira a rosa
Cheira a flôr da laranjeira."

Emociona-mo-nos, arrepia-mo-nos e prestamos a nossa homenagem em conjunto a uma Santa e a um tempo onde carros de bois enchiam os caminhos de Idanha-a-Nova!!!
E assim se recuperam memórias, e assim se alimenta a alma!




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...